18 de dezembro de 2013

Sim


Dizer "sim" contra um "não" exige coragem. Exige fé e força.
Dizer "sim" contra um "não" exige pé no chão. Exige voz quando falta o ar. Exige luta quando falta o par.

Dizer "sim" contra um "não" traz leveza. Traz suavidade e liberdade.
Dizer "sim" contra um "não" traz felicidade quando clama a saudade. Traz momentaneidade quando falta o eterno.

Viver o presente, apenas. Isso é terno.

Arriscar é a chave da porta. É o segredo. É a receita.
Arriscar é o remédio da enfermidade. É o tratamento. É a cura.

A vida se abre.
Urgente, como ela mesma.

Persistente, bem como contente.

Quando se arrisca, tudo perde a razão.

Quando se arrisca, se encontra a solução.

O doce risco do andar sem medida.
Despido de medo. Despido de orgulho.

Arrisque. Sinta. Viva.
Depois, siga seu rumo.
Mas lembre-se: quando o seu coração gritar, diga sim.

21 de novembro de 2013

Por trás do meu sorriso

Um sorriso pode guardar muitas coisas.
O que há por dentro, verdadeiramente, ninguém pode saber.
Quando há sentimento só eu posso esconder.

Sensação que me acolhe por poder assim fazer.
Pois não me agrada derrubar qualquer prazer alheio com a falta de um sorriso cheio.
Não há de assim ser.

Eu mostro aquele...

O sorriso que te pega no colo, mesmo sem te ter pra mim.
O sorriso que te acalma a alma, só pensando no fim.

E assim caminho...


Com um andar descalço e livre de qualquer piso em falso.
Com um olhar sincero que tudo revela.
E, por fim, com aquele sorriso misterioso que só eu sei o que protela.


20 de novembro de 2013

A visita de um anjo

 
A calmaria da noite traz lembranças raras.
Os ruídos soam como o que faltou você dizer.
Você não está aqui, mas eu não mexo em minha cicatriz.
 
Seus rumos já não me pertencem, nem faço questão de saber.
Quando sua voz fala por mim, meu coração fica assustado.
Mas logo a minha se enaltece diante desse coração acelerado.
 
Você abandonou sua morada.
Agora, eu moro comigo.
A cor se perdeu e o chão caiu.
Mas a luz não partiu.
Meio sorriso se tornando inteiro. Sem você.
Ficou para trás. Já nem sei mais.
 
Concentro-me no que chegará.
 
Distante e calmo, chega moroso e vai se aconchegando.
Certo e ofegante, chega saltitante e vai me alegrando.
Terei.
 
Então, a noite se alonga e eu vejo aquela alma.
Pura. Brilhante.
Tão intensa quanto à vida e tão sábia quanto à sorte.
Bela. Singela.
Maravilhando em todo canto como uma rosa longe da morte.
Leve. Doce.
Roda suas asas como se fossem pétalas sem corte.
Breve.

Para minha alma colorir e meu encanto ressurgir.
Para eu renascer em tudo aquilo que me faltou ser.
Vida.
 
É a visita de um anjo para iluminar a paz escurecida. 
 
 

19 de agosto de 2013

Ela



Sangrando meu peito ficava ao senti-la distante.
Abrigava-me naquela morte que chegava a todo instante.
Mas ela não ia embora. Ela permanecia.

Sentindo os pés fora do chão, ela se esqueceu de como era viver sem a dor.
Doía perder sem ganhar, doía resistir sem vencer. Quaisquer passos e palavras faziam com que ela sentisse a profunda e inexplicável dor inacabável do sangrar sem medida.
Também se esqueceu de como era bom sentir o calor de se encontrar, de renascer a cada amanhecer.

Triste ela vivia. Ou morria.
Frágil e doce; elegante e acabada.
Singela melodia ela cantava. Entristecia-se.
Da vida pouco sabia. Sempre partia.

Pedaços havia por toda parte. O todo se escondia.
Subia, subia... Mas caía. E descia.

Linda era ela. Como uma flor de sorriso escondido.
Forte era ela. Como uma leoa cuidando de sua cria.
Prestes a se levantar, ela se perdia.
Prestes a lutar, ela desistia.

E eu lhe dizia: "Menina, você está viva. Acorde, viva!”.
Mas morrer todo dia era o que ela fazia.
E eu lhe dizia: "Menina, você está viva. Levante-se, viva!".
Mas ela não me ouvia.

Calei-me. Para não assustá-la.
Ausentei-me. Para não magoá-la.

Perfumada como a rosa, ela surgia.
Mas desaparecia.
Eu a amava mais a cada dia.
Não havia como não amar, pois, por dentro, ela sorria.

A cada sol, ela brilhava.
Mas quando a lua surgia, ela se apagava se acomodando na escuridão de seu ser.
Ser imenso imerso em assombrações temerosas.

No entanto, descobri que era apenas uma fantasia.
Percebi que, na verdade, ela não partia.
Ela renascia.

Aprendeu a viver. Então, não mais morria.
Por fim, parti eu. Por ela.

Era ela. Só ela.
Única e encantadora.
Eternizada e admirada em minha alma.
Passei a iluminar o céu dela.

21 de julho de 2013

Fora de mim

Era festa, folia e alegria.
Cada passo uma dança, cada música um encanto.
Era paz, amor e fantasia.
Cada conquista uma cantoria, cada melodia uma euforia.
Mas a luz escureceu, os pássaros não cantam mais, tudo virou breu.

Mal me quer; mal me quer.
O bem já se perdeu, junto com meu eu.
Sinto-me fora de mim...

Difícil respirar quando me falta o ar.
Difícil renascer quando me falta o viver.
Tão fora de mim, que me perdi tanto assim.

22 de maio de 2013

Sombrio

 
Fui arrastada para longe, onde nem a imensidão é capaz de alcançar.
Perco-me em um lugar distante, onde mais ninguém consegue chegar.
Presa a meus pensamentos, tento me curar do mal de toda essa dor; tento me afastar de todo e qualquer titubeante rancor.
 
Desfaça-se. Não me encontre.
Arrependa-se. Para que se esconde?
Suas palavras viraram pó. Em todo feito surgiu algum defeito.
Sem pressa para destruir minhas ilusões, tento apagá-las, sem deixar, sequer, vapor.
 
Liberte-se. Chega de agonia.
Aceite-se. Para que tanta melodia?
 Sabe-se lá o que restou.
Diante de um caminho dominado por pedras, sou levada até a luz.
Cada tropeço, uma indisposição. Cada inovação, uma decepção.
Até quando os pedregulhos vão me perturbar?
 
Acalme-se. Tudo já está perdido.
Lembre-se. Para que ferir um coração partido?
 Não vale a pena me machucar tanto nos mesmos espinhos, cabe a você fazer da rosa novos trilhos.
 

12 de abril de 2013

Partiu



Como as ondas do mar, tudo passa a levar o que acabou e todo o anseio que restou.
Por isso eu clamo:
Vai embora, dor. Obedece à minha alma que chora.
Vai embora, rancor. Obedece ao meu peito que implora
A saudade dói, como os espinhos de uma rosa engranzada no coração.
As lembranças ferem, como o vento ardente ao me arrastar para perto.
Não mais.
Despeço-me do sentimento que me fez amar.
Deixo o acaso levar...
Bem longe vou estar.
Quando a lua aparecer, você vai se lembrar do quanto eu sofri ao confiar e tentar.
Quando o sol renascer, você vai perceber o quanto eu morri ao tentar te viver.
Gira, vem, vai e volta.
Mas não mais volta.
Ficou.
Acabou.
 
 

Total de visualizações