A calmaria da noite traz lembranças raras.
Os ruídos soam como o que faltou você dizer.
Você não está aqui, mas eu não mexo em minha cicatriz.
Seus rumos já não me pertencem, nem faço questão de saber.
Quando sua voz fala por mim, meu coração fica assustado.
Mas logo a minha se enaltece diante desse coração acelerado.
Você abandonou sua morada.
Agora, eu moro comigo.
A cor se perdeu e o chão caiu.
Mas a luz não partiu.
Meio sorriso se tornando inteiro. Sem você.
Ficou para trás. Já nem sei mais.
Concentro-me no que chegará.
Distante e calmo, chega moroso e vai se aconchegando.
Certo e ofegante, chega saltitante e vai me alegrando.
Terei.
Então, a noite se alonga e eu vejo aquela alma.
Pura. Brilhante.
Tão intensa quanto à vida e tão sábia quanto à sorte.
Bela. Singela.
Maravilhando em todo canto como uma rosa longe da morte.
Leve. Doce.
Roda suas asas como se fossem pétalas sem corte.
Breve.
Para minha alma colorir e meu encanto ressurgir.
Para eu renascer em tudo aquilo que me faltou ser.
Vida.
É a visita de um anjo para iluminar a paz escurecida.

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