17 de novembro de 2014

Um cantinho, uma emoção


Quando a flor perde seu rumo, segue o vento sem saber de mais nada...
O vento sopra. O vento a leva...
Leva para outro canto, leva para outro encanto. 

A flor, então, se abre. Seu brilho reflete a luz do sol. Sua cor é suave.

A gota em sua pétala demonstra a emoção.
A emoção de estar em outro canto, de se encontrar em outro encanto.  

Então, ela se encanta.
Se encanta naquele canto onde há paz.
Se encanta por aquele canto que vira melodia.  

E ela canta... Canta para os males espantar. Canta para o novo chegar. 
E ele chega.  

Chega devagar, de mansinho... Mas, no fundo, quer carinho.
Ele faz sua dança e se apresenta. Como é doce...! 
Então, ela se acomoda. E o puxa para bem pertinho, como se seu ninho fosse.  

Do novo encanto, em um novo canto, nasce o amor. 
Chegou de fininho. Descobriu seu lugar. Cansado de estar sozinho. E pra sempre vai ficar.  

É... O encanto surgiu. No canto onde sempre deveria estar.
A tristeza partiu. E o canto fez da sua voz um encanto.  

Feliz. Sem mais pranto. Como sempre quis. 

 Seja como for, a flor criou raiz, com seu novo e verdadeiro amor.

28 de outubro de 2014

Agora não


Chora coração, coração chora.
Tristeza apavora.
Para que toda essa demora?
Para o depois, a gente ora.
Pode ser que seja agora.
E talvez perca a hora.
Para passar toda essa história.

Coração chora, chora coração.
Quase perco o chão.
Para que essa tradição?
Saudade chega em vão.
Pode ser que esteja na contramão.
E talvez perca a direção.
Para dizer como as coisas são.

E é assim, então.
Mas não vá embora.
Coração chora.
Fica escuro lá fora.
Chora coração.
E traz a inspiração.


8 de julho de 2014

Sabedoria das asas


Quando a dor de se perder não cabe em mim, me refugio no azul do céu.
Para lá vou voar...
Até que minhas novas asas titubeiam e observo o que estou deixando.
Prantos duram... Mostram a dor de me desvencilhar.
Mas a vista do outro lado é tão bela!
Então, continuo a voar...

Por meio da liberdade de um voo sem limites, alcanço um sonho suave...
Sei que a essência tornará e, para sempre, dentro de mim estará.

Perco-me na solidão do maior vazio cheio que meu peito fica.
Vazio. Cheio de devaneios.
Paro. Penso. Volto. Abrevio.
Mas àquele lugar não pertenço mais.

Por isso, voo.
Voo em direção ao céu, voo sem destino certo.
É o que preciso nesse instante.
Instante que me recria e me faz estar perto.

Apenas voo para criar o meu eu.
Quero construir os meus próprios horizontes, levando comigo as memórias mais ternas.
Minha alma, agora, se renova e se faz minha- apenas minha.

Então, depressa, sou eu comigo mesma.
Sigo apenas com a dor do arrancar das raízes e com a singela sabedoria para guiar minhas ligeiras asas.

E, quando escurecer, voltarei para casa.

12 de maio de 2014

O que virou



Parece frágil, mas a fragilidade é a superfície.
Apenas.

Quando tudo pareceu acabar, fui arrastada para longe de todo aquele pesar.
Fui trazida para perto do certo, para refazer o incerto.
Fui tirada do escuro, para crescer.

Eu fui.
Eu fui saudade para aquele que me dominou. O mesmo que me acrescentou.
Eu fui ferida por aquele que me enfuriou. O mesmo que me libertou.

Eu fui.
Eu fui salva pelo sorriso de um medo escondido. Pelo acaso da luz do segredo.
Eu fui fonte do amor que não soube se cristalizar e fui fruto da dor que me fez ressalvar.

Agora, sou.
A luz mais singela, o brilho no olhar.

Eu sou.
Sou o vento calmo a despertar o andar.
Sou o claro da noite para se destacar.
Sou a vida agora a se embelezar.

5 de maio de 2014

Tudo


Já não posso dizer aquilo que me convém, porque o pouco que sobra já é o bastante para me satisfazer.

Hoje, eu não quero saber da tristeza, tampouco quero comover-me com lágrimas alheias.
Hoje, eu só quero saber de ser feliz.

A ousadia domina o novo ser de uma bela e singela melodia que me faz crer. Sabedoria que me revela nova e a magia que me desdobra naquela.

Eu fiz.
Fiz a vida revirar, fiz a loucura bater.
Para quê?
Para tudo nunca mais voltar e tudo novo nascer.
Sem medo.

Eu vi.
Vi tudo aquilo renascer, vi o orgulho crescer.
Por quê?
Porque tudo logo vai chegar e tudo vai ser.
Sem blasé.

Só...
O sempre é agora e o tudo já está aqui.
Dentro de uma alma calma, que se preenche com essa imensidão de
apenas um instante.
É tudo.

25 de abril de 2014

Escapa...


Acredite! O sorriso pode dominar.
Pense! As palavras podem revelar.
Perceba! As atitudes podem manipular.

Paciência acaba e o sol nem raiou.
Aquilo tudo se esgota, sem, ao menos, ter fulgor.
Antes de qualquer efeito, já não tem mais vigor.
O dia amanhece nulo, do mesmo jeito que você chegou.
Despeço-me daquele doce sonho que mal começou.
Você cortou a asa de quem ainda nem voou.

Pobre. Perdida.
Era sua alma caída.
Fria. Falida.
Era sua mente poluída.
Tardia. Ferida.
Era sua pose fingida.

Não deixou nenhum mal. Nem bem. Nada.
Não chegou, nem partiu.
Não começou, mas teve um fim.

Escapou.

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