Quando a dor de se perder não cabe em mim, me refugio no azul do céu.
Para lá vou voar...
Até que minhas novas asas titubeiam e observo o que estou deixando.
Prantos duram... Mostram a dor de me desvencilhar.
Mas a vista do outro lado é tão bela!
Então, continuo a voar...
Por meio da liberdade de um voo sem limites, alcanço um sonho suave...
Sei que a essência tornará e, para sempre, dentro de mim estará.
Perco-me na solidão do maior vazio cheio que meu peito fica.
Vazio. Cheio de devaneios.
Paro. Penso. Volto. Abrevio.
Mas àquele lugar não pertenço mais.
Por isso, voo.
Voo em direção ao céu, voo sem destino certo.
É o que preciso nesse instante.
Instante que me recria e me faz estar perto.
Apenas voo para criar o meu eu.
Quero construir os meus próprios horizontes, levando comigo as memórias mais ternas.
Minha alma, agora, se renova e se faz minha- apenas minha.
Então, depressa, sou eu comigo mesma.
Sigo apenas com a dor do arrancar das raízes e com a singela sabedoria para guiar minhas ligeiras asas.
E, quando escurecer, voltarei para casa.
