30 de dezembro de 2010

Permito-me ser

A partir de agora piso no desconhecido, me entrego. Sinto-me solta e propícia ao erro, mas isso não me impede de me permitir. Permito-me então. Para o próximo, para o tal. Tal que desconheço, tal que tanto temo, tal que viverei. Deixo o agora, para dar lugar ao seguinte, ainda que áspero, é o que me espera. Rodeada de dúvidas e um medo incerto, sei somente que nada sei e não sei o que ser. Porém, me aceito mesmo sem saber que além dos defeitos, eu posso ser, e apenas ser. Incomodo-me por não saber, ao certo, em qual canto pisarei ao dar o próximo passo, mas a alegria plena que sentirei ao viver mais um segundo me permitirá ser. Serei agora e no próximo instante. Serei sempre, mesmo que me perca de mim.

27 de dezembro de 2010

De novo


Prováveis perdas me fazem diminuir o que sou. Mas tento me equilibrar, pois não posso cair, levantar é muito difícil. Tendo-me ao pior, pois as decisões se apertam e se complicam, ao mesmo tempo em que me seguro naquilo que sempre acreditei e crio fé. Os caminhos a serem traçados poderão ser corretos, pois me enxergo além do que aparento ser. Sei que posso, sei que devo e não temo, por isso tento. Porém, acreditar não é o suficiente para se chegar ao rumo certo, é preciso agir. Agir como se tivesse apenas uma chance, como se acabasse tudo em um instante. Acreditar que agir seja o bastante e me conduzir ao antes para tentar mais. Sei que é possível. Me encontrarei ao contar até três e, enfim, seguirei outra vez.

21 de dezembro de 2010

Trarei a lua cheia



O escuro da noite vai me consumir e, então, posso fazer o que eu quiser. Voarei até o céu, agarrarei a lua cheia e farei ela minha. Trarei para baixo e então serei livre. Livre pra sentir a vida, livre para viver. Apenas livre. Eu comigo mesma, solta. Não vou me render a nada. Me renderei somente ao meu próprio amor, ao meu amor à vida, à minha respiração. Só, ou tudo isso. Ilesa de meus próprios sentimentos, não vou sentir. O silêncio vai interferir e fazer seu papel e, então, vou sumir. Sumir de mim, sumir comigo. Posso não mais me encontrar, nem voltar, mas vou estar feliz. Feliz com a liberdade, feliz por nada. O vazio, às vezes, me preenche, como o azul do céu, que agora aparece. O escuro se foi, deixou comigo seu encanto, suas estrelas, que agora brilham dentro de mim, junto com a lua cheia, próspera e incrível. Agora posso sentir a luz bater em minha alma, me abre para viver, me jogo no amanhecer.

17 de dezembro de 2010

Desejo seu veneno

Quando você passa por mim parece estar tudo bem, mas quando percebo que não olha para trás tudo muda e o meu tempo interior escurece. Um simples olhar transforma e faz a diferença. Não gosto de querer desprover dos seus sorrisos, encarar suas mentiras e fazer tudo errado. Mas é somente o que eu quero. Simplesmente quero. Quero tudo isso que me faz mal, quero isso que não entendo porque quero. Vontade que me consome fatalmente. Quanto menos espero, mais eu quero. Quanto mais sou proibida, mais eu quero. Quanto menos é seguro, mais eu quero. Você tornou-se o meu vício, o meu veneno. O veneno que me mata aos poucos e me devasta e, estranhamente, me faz gostar e desejar mais. Aquele que me coloca no chão, que me suga a emoção, que me faz cair de paixão. É o veneno que me rodeia sem querer aparecer, mas que aparece por me fazer querer. Me tira a paz, e me faz cair mais...

Me mata, mas morreria todas as mesmas vezes por aqueles momentos.

14 de dezembro de 2010

Só, no silêncio do meu quarto, posso ouvir o que não há em volta, minha alma clamando por paz, mas a escuridão permanece. Mantenho os olhos abertos, mas é como se houvesse uma sombra permanente, que fixa uma imagem dentro de minha cabeça. Reflito sobre a vida, mas não encontro meios de entendê-la, talvez não faça sentido algum. Consumida por uma solidão repentina, me acalmo ao ouvir minha própria respiração, pois percebo que não há nada melhor do que estar viva.

8 de dezembro de 2010

Existo no amor

Quero existir somente onde haja amor.
 Fazer da vida a mais perfeita e simples união do belo e do essencial. 
Deixar de lado a dor e fazer história ao sonhar com cada parte do aconchego que terei. 
Por fim, realizar. 
Quente como o calor do fogo, sinto ele se aproximar. 
Com um aroma doce e incrível, vejo-o chegar. 
Acelera o coração, esqueço-me do resto, dispara emoção. 
Puro, como o ar que respiro, é o seu sabor. 
Calo-me ao tocar-lhe e me entrego com paixão. 
É ele, o amor... 
Encontro-me na plenitude dessa sensação. 
Existirei apenas onde você existir.

Espero

Luto contra o tempo, mas o tempo corre contra mim. 
Me domina, me cega. 
A hora não passa, mas quando pisco, ela já se foi e você ainda não veio. 
Espero mais, e mais. 
Parece longe e duvidoso, mas, ainda assim, somente te espero. 
Espero para te sentir, espero para sorrir. 
Afogo-me nessa ansiedade máxima, antecipo minhas dores, faço teus os meus amores. 
Não consigo me conter, nem mesmo meus sonhos permitiriam, eles mostram que quero te ter. 
Conto os segundos para isso acontecer.
E mesmo que titubeante, por enquanto te espero...

4 de dezembro de 2010

Chuva

Peço que leve todo o meu vapor.
Leve também todo o meu amor
Leve tudo, leve...
Deixe-me somente a paz.
Entrego minha alma à gota que cai
Sobre meu peito se desfaz
Escorrendo pra nunca mais voltar.
Novas gotas cairão, assim como novos rumos surgirão.
Leve embora tudo que não quero mais
A chuva vai passar e levar tudo que me faz mal.
E assim me desvencilho do sempre e do igual,
Mas agora, o sol foi embora
E levou consigo todo o meu calor
Tirou de mim aquilo que tanto me importa.
Deixou somente o pavor
Frente ao escuro que restou,
Desespero-me por não encontrar a solução
E perco-me no desconhecido.
Gosto do claro, de toda a certeza de ser o que se é,
Pois o falso não me convém
O impróprio não me completa.
Quero que me devolva minha luz, meu sorriso.
Para, finalmente, ser o que sou.

3 de dezembro de 2010

Na madrugada

Madrugada, silêncio na estrada
Tudo é calmo, doce ao som do nada
Sinto um vazio que se preenche com a escuridão
Torno-me frágil, sensível a qualquer ilusão.
Respiro o silêncio da noite, me inspiro no ar puro dessa sensação
Tranquilidade serena me mantém afastada do chão, de toda a razão.
Me sinto livre, pronta para qualquer contramão
Posso voar, sentir meus pés balançarem
Toco as estrelas e escrevo uma canção
Então, irei sonhar...
E após algum tempo acordar, com aquela nostalgia de imaginar.

1 de dezembro de 2010

Mudarei

Acordarei nova e jogarei fora o que não me cabe mais. 
Estarei disposta para enfrentar o difícil, combater a preguiça e me manter em pé. 
O que tenho ao redor me equilibra e não terei nada além daquilo que me faça bem. 
Se necessário me apoiarei no corrimão, 
mas subirei cada degrau com tamanha intensidade, 
pois já não me conforto mais com o estável,
 aspiro por mudanças, 
gosto do cheiro do novo e do sabor do inesperado.

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