14 de dezembro de 2012

Dissabor


Presa, de mãos atadas. De pés descalços, sem encantos.
Seca, de asas cortadas. Com imensa e forte sensação de vazio.

A luz se perdeu, o chão caiu.
Meus olhos não brilharam e o luar partiu.
Minha alma não cantarolou pelos cantos, não pulou de alegria.
Minha alma não sorriu.
Será que acenderá? Ou de vez apagará?
Chama doce e calma, mas sem nenhum sabor. 

Aquela intensidade me dominava por inteiro. Tudo que era pouco parecia demais e o que era demais era pouco para apenas um instante.
Aquela emoção me roubava sem medida. Tudo era vulcão e não importava a razão.
Porém, sumiram. Perderam-se. Como eu.

Sábios pensamentos me rodeiam, mas não dão a direção.
Firmes instintos me tocam, mas não são a salvação.

O fogo foi apagado pelas lágrimas e o que restou está imóvel.
A flor murchou porque não foi regada e deixou um jardim sem fulgor.
Pétalas caídas. Secas.
Tudo derretido. Consumido.

6 de novembro de 2012

Só e tão só


Pela gota que cai, o clarão se desfaz.
Tudo fica turvo e confuso.
É difícil viver e buscar a imensidão quando não há nada além de lágrimas.
Sinto-me só e tão só...
 
Sem rumo a tomar, sem nada desejar.
Sem direção, me perco do chão, sem saber se posso pisar.
Caminhos ocultos e sem sabor me levam a um escuro e frio lugar:
Onde não posso respirar
Onde nem sei o que pensar
Onde ninguém pode sonhar.
Amarga e estranha sensação de que não há nada mais adiante,
De que tudo acaba ali.
E é só e tão só...
 
O que é necessário querer eu não consigo,
Só vejo um nó no meio da estrada e a saudade sendo guardada.
Caminhos únicos e pesados, lentos e insignificantes.
Não posso olhar para os lados,
Já que esse único horizonte é a zona de conforto.
Deixo acharem que é só e tão só...

O magnífico olhar se desfaz.
A essência da flor deixa lugar ao que o destino traz.
E toda aquela força de vontade já não mais mora em meu lar.
Vejo-me só e tão só.

24 de março de 2012

Sem saber

Entre momentos de ficção, os sabores se misturam diante da confusão. Não há nitidez, nem multidão. Não há sabedoria, há somente impulso e mágoa. A fumaça cega, enquanto o aperto aumenta. É como se tudo estivesse longe da razão e a perda fosse maior do que qualquer emoção. A lembrança de um sorriso, de um carinho, de um aperto de mão... Tudo não passa de um momento, pois o instante acaba, mas a dor volta. O mundo ao contrário, todos no abismo. A fonte quase secando, as crianças chorando. O vento seca, a chuva fere; encontro-me no chão, desvairada entre muitos corações. No que acontece agora ninguém põe a mão, mas o destino sabe onde está a contradição. Mil caminhos a encontrar, mas nenhum a me achar.  Acho a volta, me perco na ida. Sinto-me vencida e, ao mesmo tempo, falida. Sem direção, sem desejo de escolha... Mas, acalmarei meu coração.

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