2 de novembro de 2011

Pulso-me à vida

Tudo mudou em um pequeno instante. Atingiu multidões alegres que amavam... Em cada sorriso, cada olhar sincero, cada palavra doce.
Sem mesmo entender, a dor me derruba, mas a força logo me levanta. Quando o vento bate, a pele arde, mas logo vem a chuva amenizando o ardor. E quando o sol nasce, rapidamente aquece a minha alma com todo seu calor.
O medo de cada dia é superado. A dificuldade, ainda que às vezes escondida, é enfrentada. Com todas as armas na mão, calo sensações que não cabem a mim. Arrasto as boas e antigas cantigas pra perto.
Sim, é mais valioso que um diamante. Por isso, me torna mais sensível ao mínimo toque, e esperançosa por qualquer riso.
As rimas soam mais perfeitas, tal como as veias, brincando dentro de mim. Seguram o sangue que corre quente, pulsam forte para que me torne viva. Meu coração se enobrece quando presencia a emoção. Acalento-me só, coberta de sonhos bons. Quero acordar somente quando a tempestade passar, mas assim não farei, pois o balanceio da água me chama. Preciso remar. 


E antes do dia desaparecer, quando o sol encostar-se à rua, tudo fará sentido e nos trará sentido também. O sentido de viver. O viver destemido. O mistério da vida, vestido de sorrisos.

25 de outubro de 2011

Sem querer

Às vezes, nem sei por que, tudo parece sem querer...
A gota que cai, cai sem saber, e o que me atrai nem sei se vou poder. Quem me traz para perto não o faz por merecer, faz para me ter. Não sei da onde vem tal desejo, só sei que é difícil me manter. É o que suga todas as minhas forças e me faz perceber que nada existe sem você, mas é tudo sem querer...
De repente, sinto que aquilo que me pertence já não me pertence mais. Por alguns segundos. Ou mais. Se não há esforço, o vento decide para onde me levar, mas tamanha é sua inconstância, podendo surpreender. Ou decepcionar, importante lembrar. Quando me entrego ao vento, o controle sai de nossas mãos, fica difícil remar. Deixo me amar, já que o amor é sem querer...
Confuso, eu sei. Parece outro ser. Passa, volta, vem correndo, vem de leve... Toda a emoção dá sumiço à razão e, de tanto perdão, perco a direção. Sem remos, sem rumo. Será que o vento me guiará? Talvez, sem querer...

11 de agosto de 2011

E vira pó...


Se por acaso as flechas me acertaram, com certeza, se estivesse em caminho diferente, eu seria atingida também, mas de outro modo. Nada é como planejamos, pois o hoje muda, o agora já não é mais. 
Pó. Escuridão. 
Nada é certo, tudo em volta se esconde, sobra nada. E mais nada. O calor atual se perde, pois é dominado, talvez por outro melhor. Ou não. Não é apenas o frugal, por isso escapa. Não sei se voltará, mas se vai... Não pertenço a ninguém, nem a mim mesma, e se penso que nisso pensei, já sinto que não posso mais ter... Porém, o que interessa é o interesse, de tal maioria egoísta, exagerado, mas almejado, e muito. Pensar que o pensar não há, que o futuro não há, que o passado já pode não ser, o que será então? 
Pó. Incerteza. 
Tudo nasce pra morrer, o sentido também não há, mas o que começa tem que acabar. Se a essência mudar, o sol que brilha de dia direcionará seus raios não mais como sempre. E precisarei de ar. Se tudo acabar, o começo nunca existiu, pois nem tudo que começa tem fim, às vezes nem nasceu. Então se perde... 
Pó. Ilusão.
Quando tudo parecer normal, não haverá razão, não haverá medo, não haverá luta. Eu alcanço o fácil, mas o fácil não me alcança, o que me satisfaz é o sempre mais. O desejo de buscar, o poder de fazer. A linha é reta, mas nossos olhos desvirtuam a imagem. Entretanto, fechá-los agora não seria uma boa opção, pois quando chega o difícil é que podemos ter paixão.
Pó. Reflexão.

18 de julho de 2011

Ser o teu poema

Não quero ser a inspiração de tuas palavras
Não quero ser a tua amada apenas
Quero ser muito além, quero ser o teu poema

O som toca cedo, tua voz amanhece nua
Doce como a estrada que pego a te encontrar
São teus olhos desejando um beijo
Viajam fundo a se aproximar
Chegam intensos e calmos, e aqui se esquentam

Sou só tua, me entrego
Teu amor é meu lar, tua calma meu ar
O tempo para quando te sinto perto
Acolho-me nos teus braços até o sol raiar

9 de junho de 2011

É assim que gosto

A vida breve, o risco corrido, imensidão que passo apertada, é assim que eu gosto. É a minha loucura em sã consciência, aquela que me pega de repente e me pira tão facilmente... O ar puro dessa ilusão me faz acreditar que a vida é nada sem ousadia, some completamente a penumbra, resta-me a noite aberta e o dia estrelado. Tudo ao contrário, é assim que eu gosto. O claro some, mas o escuro não permanece, o que acontece é o que também não sei. Nem quero descobrir, pois o risco me atrai, o desconhecido me distrai e o inesperado me satisfaz. Quando olho pra trás me sinto ofuscada, pois do passado não lembro mais, e nem quero lembrar, pois é assim que eu gosto. Despeço-me dos pedaços de qualquer parte partida, perdida na intensa escuridão. Viajo fundo na estrada rumo ao início de uma nova emoção. Como louca permaneço e assim que todos são. Todos não, os que da vida tiram o melhor, conhecem o pior, os que da vida sabem desfrutar. Poucos são, mas os que são, sãos não são. Nada me importa a razão, a distração me acolhe e é dela que tiro meu fôlego, pois não quero ver o que não preciso enxergar, muito menos ouvir o que não quero escutar. Minha alegria exagerada mascara qualquer frustração. É assim que eu gosto e vou continuar.

3 de junho de 2011

Meu eu em outro mundo


Meu inteiro não permanece nesse mundo, ele mora longe. Não pensa nas consequências, 
basta somente ser essência. 
Procura mudar, crescer, sorrir. Nada há em volta. É escuro, mas desperta o sonho.
 Um pouco inseguro, mas nada adianta viver uma vida sem magia. 
Não é preciso fazer parte do todo, pois são todos tolos. Eles fazem da vida um comércio, e do comércio suas vidas, por meio de atitudes ínfimas que alimentam a ganância. 
Por isso, hoje, tenho um compromisso com a lua, a qual trará meus sonhos à realidade, completará minha metade e me livrará de toda a maldade. 
Ela também vai matar minha fome do medo, meu desejo retido, meu obscuro segredo. 
Quero deixar somente a saudade, estarei bem. 
Quero o meu mundo, pois não me contento com o de agora, quero ser livre. 
Aqui é tudo tão errado... 
Às vezes me sinto perdida, olho para os lados e só vejo o falso, quero estar onde o amor aquece os corações, se afasta da razão, onde se dialoga por meio de canções. 
Pertenço à outra dimensão, por isso irei ao meu encontro, 
fazer de mim apenas minha: entregar-me, a mim mesma. 
Sem nada falar,
 tocarei as estrelas mais brilhantes e me farei brilhar.

16 de maio de 2011

Pode ser

Pensamentos soltos voam longe e trazem de volta o que estava perdido 
Tal como foi, como restou e ali ficou. 
Medo vai, medo vem, permanece cedo, em tantos cantos... 
Canto, para me acalmar, a canção que trago da alma, do peito a apelar e trazer a calma. 
Aventura perigosa, cobra atitude e fôlego 
O suficiente para me arriscar, para me entregar 
Chegou a hora. 
Desvencilho-me do antes, da razão e qualquer antemão. 
Piso descalça, mas não sinto o chão 
Talvez passageiro e subversivo, mas preciso agora 
O passado já não me satisfaz e, mesmo que titubeante, quero pelo menos por algum instante. 
Peço que chegue devagar, mas que fique rapidamente até eu me acomodar. 
Todo aquele sonho, quero deixar pra trás, pois essa doce aventura é meu novo desejo. 
E é real
Tão real que ofusca minha imagem, me cega ao fim da estrada...  
Perco-me na contramão. 
Tão quente como o escuro de toda essa armação é o seu gosto, que está impregnado em mim 
É o que renasceu e ganhou vez.
Deixo a fuga de lado e vou viver depressa, pois ele me chama lá fora.

O amor? Talvez. 

20 de março de 2011

Vai e volta

Difícil dizer o que se passa aqui dentro,
cada instante há algo novo que logo após um segundo já se transformou em outro.
Outro que deixo pra lá até que venha de novo me atormentar.
Impossível explicar, parte que vem e vai, transforma meu ar,
e se perde em qualquer direção.
Estranho esse jeito de amar, me submete ao amor sem nenhuma razão,
mas quando o vento sopra, leva todo aquele fulgor,
deixa-me somente o vazio do temor.
E quando a chuva cai,
o medo escorre junto às gotas
 e por aí vai...
O que sobrou em mim nem eu sei mais.

26 de fevereiro de 2011

Fé, agora e sempre.


Quero ver o sol brilhar, enxergo a luz bem lá no fim, sei que o tormento vai acabar. Faço de conta ser somente uma fase; desordenada, porém curta. A fé nos move e por meio dela é que chegamos vivos, após uma luta aparentemente interminável. Luta em que há gritos de agonia, há uma angústia inesperada, há um choro contido e inacabado. Palavras abafadas pelo silêncio que o transtorno causou, a falta de apetite que tudo isso deixou. Há somente a espera pela calmaria, para acalmar essa intensa solidão. Tão intensa esta quanto a dor que sinto perante completa escuridão. Os caminhos a serem traçados são incertos como a certeza de me manter em pé. A dúvida. O medo. A alma. Pesadelo insensato e amargurado, que traz consigo o aperto e a aflição, que agora vivem em mim. Apesar de já fazerem parte do meu novo ser, aquela alegria imensa que me dominava, que me cobria a todo e qualquer segundo, ainda está viva dentro de mim. Sim, ela vai renascer, junto com a luz do sol. Viverei em paz, feliz.

5 de fevereiro de 2011

Quando...

Quando sinto que não há mais nada, que tudo não passa dessa madrugada. Quando sinto que o chão já não existe mais e nada me salvará. Quando sei o que devo fazer, mas todos os meus passos me guiam para não fazê-lo e tudo se torna escuro, em vão. Tudo, até então, se quebra e se perde em qualquer direção. Ouço a voz da razão, mas o que escuto agora é o oposto, penso em não seguir o correto. O que sinto agora é o que não se pode sentir, mas esse desejo simplesmente me domina e consome toda minha energia. O que fazer então? Se diante dessa confusão me sinto distante até de mim, como se o inteiro virasse metade, como se tudo se tornasse um nada. Vazio... Longe de tudo e todos, me sinto além. E só. É quando cada passo desenfreado torna o caminho mais perdido ainda. Mas em algum canto ainda irei encontrar aquela parte que perdi, para fazer do meu ser inteiro inteiro novamente. Só preciso saber quando...

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